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Madame coloca cabeça de polaco na guilhotina

Madame  met la tête de polanais sur la guillotine

         Ulalá, je suis otraveiz ici a Paris. Vero. De verdade. Já começou com uma aventure. Bsb-Galeão-Charlles de Gaulle- Place de Ternes- Studio – 18 horas de viagem, contando baldeação e tudo mais. Muita fila na PF e na Securité. Tudo cara de meganha.

        Chave e sacola na mão, madame e polaco, felizes, vamos às primas compras aqui em Paris, pois é tradição: vinho tinto Beajaulais, queijo camembert, baguette pontuda e sequinha, água mineral gazeuse, si vous plaiz, tá?  E pour madame, não vai nada? Ah… fromage suiço, vinho italiano e caviar. Mais nada? Não. Por que?

        –  Florzinha, abra a porta que esqueci meu cigarro no quarto e sala.

       Ponho a chave na porta que acabo de bater na minha cara. Abre? Não abre. O que você fez. Não fui eu, foi você que deixou a chave no lado de dentro, na porta. Não fui. Foi. Foi, sim. Você. O clima azedou quase, quase de vez.

      –  Pois olha aqui a minha clé. E olha aqui a minha. Então quem foi? Só pode ter sido o polaco. E pior é que foi. Mas não eu. Só se foi o outro polaco, o Anatole Wisniak, gente finíssima, da firma que aluga o apê, o receptivo. Foi ele. Foi ele  sim. Faz o que com ele? Cadê ele? Se mandou. Tá no metrô. Telefona. Com que? O cartão ficou ali dentro.

      Vamos descer. Uma porta. Elevador pequeno. Outra porta. Andar O. Outra porta. Mais uma. Ô pessoal para gostar de porte de merde estes franceses. Não é a toa que Paris está cercada de Porte. Mais uma porta. A chave. Abriu. A outra. O código. Ficou lá dentro do estudiô. Merde!!! E aí? Primeiro, a sentença. Bota a cabeça do polaco na guilhotina. Qual polaco? O que estiver mais perto. Eu. Sobrou.

         Capítulo quase final desta novela Avenida Brazil Champs Elysées (fica a 200 metros daqui, que merda, meu). Mas, com muita fé na Fraternité, leia só que nos acontece.

         Antes da saída, cadê o código, se alembra, o que abre a porta, está um garçom, ao celular, moço, quebra o galho, quer dizer, monsieur, nós somos deux bresiliens no maior sufoco. Ah. Parlez com a madame ali dentro. Mas a gente não tem como sair daqui. E muito menos entrar. Tá. Entra por aqui. Mas já vou avisando que madame não gosta.

       – Madame, si vous plaiz. Quié? Niente, niente. Parla logo mané. Explico. Madame não é francesa, mas a dona do Ristorante Visconti, 89, Courcelles, Ternes.   

          – Brasileiro, é, mané. Viro a cabeça. É um manezinho de Blumenau  entregador de pizza em Paris. E madame. Avia, menino, vai logo entregar a pizza.       

           –   Explica para a madame italiana o nosso sufoco.

           – Já estou cheirando. Vocês estão na maior merde, né?

           – Vai logo. Você não, brasiliani, é ele, catarina e polaco. Me passe o telefone aqui.  Alô, Anatole. Tô aqui com um casal de brasileiros que você acabou de deixar e que não conseguem entrar de jeito nenhum.

           – Como, se deixei os dois lá dentro do apartamento?

           – Estão aqui. Bateram a porta e ela não abre.

           – Que porta?

         – Terceiro andar, a gauche e depois a gauche otraveiz.

         – Escutou, polaco?

        – Escutei sim, mas aqui fui eu quem falou. Que falei.

        – Calado, brasiliani lindinho, estou falando é com o polaco feio.

        – Ah bom. E fiquei caladinho.

        – Escute aqui, polaco de merde, trate de voltar e abrir a porta para eles. Foi você que esqueceu a chave outra vez lá dentro e trancou a porta. E tem mais. Vou fazer que nem noutro dia. Vou liberar um vinho tinto, italiano, dos bons, mais uma macarronada do dia, com mule, mussel, como se diz, mexilhão, com molho especial. E sabe quem vai pagar a conta? Tu, Anatole. Capicci, mané?

     E assim foi. Juro. Pina, o nome da dona do Ristorante Visconti, no Bulevard Courcelles, número 89, fez e cumpriu. Anatole, estudante franco-polaco, volta no metrô, chega uns 35 minutos depois, e o vinho tinto italiano da casa correndo junto com a chuva.

      – Pô polaco, té que enfim, ragazzi do catzo.

     – Quem, eu?

    –  Tu é ragazzi brasiliani, Mamcasz, de São Paulo, só tem homem bonito.

   – É vero.

    – Tô vendo.

    – Anatole. O casal tá que tá no vinho tinto italiano e no mexilhão. A porta já está aberta?

    – Não.

   – Catzo de merde. Vocês franceses são uns merdes sem iniciativa. Franco-polaco, então.

   – Já falei com mon patron e ele está mandando o serriére, que é o abridor de portas e dentro de uns 30 minutos ele está chegando. É o Alan, un gros home, homem forte e gordo. Então, au revoir.

     –  Au revoir o cacete, o catzo, senta aqui, aqui não, ali, na cadeira, e bebe um vinho com a gente.

     – E quem vai pagar?

      E a Pina, bela italiana, dona do ristorante, na maior risada.

     – É o polaco.

     E eu:

    – Eu???

    E ela:

   – Ele.

    E ele:

    – Eu???

   – Pô,vamos acabar com a novela Avenida Brasil. E como é que acabou? Fiquei sem satélite.

    Mais uma rodade de um bom vinho italiano tinto e se juntam Alan, o homem forte que abre porta, e os dois polacos, ele e eu. Os três subimos. Madame, puta da vida, as duas, mas nesta hora fartas de vinho, cigarro e a boa conversa com a italiana Pina, as duas se entenderam na hora, também, mistura de Lampião com Mussolini, queria o que? Ainda escuto ao fundo:

     – E amanhã, você vai fazer o que?

    – Vou até o Canal San Martin prum bom café da manhã. Tomar meu brunch no Café do Gilbert, no metrô Alexandre Dumas, Bl de Charonne, 109,all can you eat. Mas antes vou passar na Place da Bastilha.

    – Prá que?

     – Vou botar a cabeça do meu brasileiro de São Paulo na guilhotina.

      – Ai que pena, diz Pina. Deixa a cabeça dele para mim.

     E as duas ficaram na gargalhada enquanto ….

      photo 3 ici

     Final da novela Avenida Brasil aqui em Paris. O homem forte, francês da Bretagne , chega até a porta, abre o fecho-éclair de uma mala enorme, tira uma lixa do tamanho de um catzo e passa na fresta da porta na altura da fechadura. Em seguida, dá duas ombradas, uma barrigada e meio pontapé na porta. Resultado. Cai a chave, no lado de dentro e… a porta se abre.

     – Ó….

     – Ó, uma ova. Só vou falar o seguinte. Com um polaco, o Anatole, volta e meia dá merda. Agora, dois polacos juntos, aí é merde e meia. E vamos descer. Quem está pagando o vinho? É o polaco?

     – Oui. É ele.

    – Non é eu. É ele, sim.

   – Então vamos lá que a Pina decide com qual dos dois polacos ela fica esta noite porque a conta tá alta.

     Moral do dia seguinte:

   – Tô aqui no Canal Sant Martin sem saber quem é madame Lampião, quem é madame Mussolini. E a cabeça tá doendo toda ela por inteiro.

    –  Polaco!!! Tem criança lendo.

    Eu sei. Tô aqui na praça do antigo presídio de crianças, no uaifai de graça.

     –  Então tá.  Au revoirzinho. A bientôt. Fui. Inté e Axé.

English: Facing the Champs-Elysées avenue, the...

English: Facing the Champs-Elysées avenue, the Obelisk of Place de la Concorde in Paris Français : Face à l’avenue des Champs-Elysées, l’obélisque de Louqsor, place de la Concorde à Paris (Photo credit: Wikipedia)

Madame coloca cabeça de polaco na guillotina

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Publicado por em 21/10/2012 em PARIS, Paris, Turismo, Viajante

 

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Paris – vai ser bom, não foi?

Ainda que nem precise, nesta undécima ida a Paris, pesquiso alguns guias de conversação básica.  Acho o “Passaporte”, originalmente para uso alemão, “Last minute sprachführer französisch”. Vou direto para a página 57, reservada ao   paquerar na língua do Baudellaire. Uma preciosidade real. Um  Croissant.

On peut se faire de câlins? (Podemos trocar uns carinhos?)

Atente para a resposta no Passaporte para Paris:

Mais seulement avec des préservatifs. (Só se for com camisinha).

Tu en as? (Tu tens?)

Mais incrível a sequência, duas linhas abaixo do supracitado lero:

Ça t’a plu? (Tu gostou?)

C’était super! (Foi demais…)

Agora saca só a sequência com as falas da madame no acesso de fúria:

Va-t-en maintenant! (Vá embora, polaco.)

Décampe! (Chispa!)

Laissez-moi tranquille. (Me deixa em paz.)

Moral do lero:

Um cafezinho, um cigarrinho, outra transadinha, então, nem pensar, né Vite, vite! Viste? Vixe!!!

 
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Publicado por em 23/09/2012 em Paris, Turismo, Viajante

 

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Você quer namorar comigo?

          “One day I’ll take you to Paris,”  who does not love being seduced by such promises endless dream along the boulevards, exchanging kisses in slow tiny cafe tables, stroll hand in hand around the edges of the Seine, ask that incognito we reflect, Notre Dame in the background, the lenses return, the union started really well.

* * *

         “Um dia eu te levo a Paris”, relembro o dito, quem não ama ser seduzida por promessas tal sonhar infindo pelos bulevares, trocar beijos vagarosos em minúsculas mesas dos cafés, flanar de mãos dadas pelas beiradas do rio Sena, pedir ao incógnito que nos reflita, Notre Dame ao fundo, nas lentes do regresso, a união assim deveras iniciada.

           Each pair that look the Paris of his dreams, in essence didivido in short time become the world city seen beneath golden curves of the bridges, the endless walking, aimlessly or plumb until the top of the Arc de Triomphe in the pre-dusk, the city slowly blinking eyes, the silent embrace, love.

* * *

          Cada par que procure a Paris de seus sonhos,  na essência do didivido no tempo curto que passa a ser o mundo, cidade vista por debaixo das curvas das pontes douradas, nas intermináveis caminhadas, sem rumo nem prumo, até o cimo do Arco do Triunfo, no pré-anoitecer, a cidade piscando os olhos devagar, o abraço silencioso, o amor.

 
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Publicado por em 20/09/2012 em Paris, Turismo, Viajante

 

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